terça-feira, 16 de novembro de 2010

O espírito da colméia





Vou começar pelo lugar comum: esse é um filme bem difícil de se assistir. Ele começa bem lento, meio sem dizer a que veio, mostrando uma vida morna onde quase nada acontece. Começa ( já ia esquecendo) como qualquer história infantil: era uma vez...
Era uma vez uma cidade qualquer no meio da Espanha,. 1940. Uma familia mora numa grande fazenda, que um dia foi muito prospera: Um pai que pesquisa abelhas, uma mãe aristocrática que vive presa ao passado e duas crianças, Isabel e sua irmã Ana, que a moda dos personagens infantis dos contos de fadas vivem isoladas dos mundos dos adultos. E também temos "Franskenstein", filme de terror que as irmãs assistem e lhes apresenta um mundo de vida e morte. É a partir das reverberações deste filme no espirito das duas crianças ( em especial em Ana) que o filme acontece.
Enquanto Isabel (a irmã mais velha e de comportamento sádico) passa a assombrar a irmã com história de espíritos, a reproduzir "comportamentos" do monstro Frankenstein como na cena que tenta estrangular o gato ou simula um acidente para assustar a irmã. A pequena Ana traça o caminho contrário da descoberta da solidariedade e coragem.
O filme é uma grande fábula e para mim retrata com sutileza o processo de individuação de uma criança. Quando Ana foge de seu pai por causa da descoberta da morte do revolucionário ( a primeira morte real com a qual tem contato) e adentrando nos bosques (de novo o universo das fadas) que fazem fronteiras com a propriedade de sua familia, ficando frente a frente com o monstro que a assusta e fascina, a menina apesar do temor o encara e acolhe. Depois temos o amanhecer, a menina é encontrada e levada para casa. Chega a noite novamente, e com ela todos os temores e mistérios que lhe são inerentes, a irmã Isabel se encolhe e se protege temerosa das fantasmas que ela mesma criou e alimentou. Já Ana levanta- se da cama e abre a janela para receber a luz do luar e encarando/superando seus medos fecha os olhos e diz " sou Ana".
A menina amadurece e se assume enquanto individuo.

* O movimento inquieto das abelhas reflete a inquietação internas dos personagens
* A casa é como uma grande colméia, onde cada um vive seu espaço e conflitos banhados pela belíssima luz mel proposta por Francisco Cuadrado
* Fantasia e política se encontram com muita subjetividade. Só no meio do filme pensei que essa é uma história de guerra também.
* Não há respostas ou explicações, só silencio repletos de significações.

Nenhum comentário:

Postar um comentário