quinta-feira, 30 de julho de 2009

Das palavras não ditas... / e ou... / Com cautela não se vive

Oi.
Oi.
...

Tá bem?
Pq?
Nada, deixa.
Ah!
Oq?
Só "ah!".
Eu sei...
Então...
Então oq?
Nada!
...

Não precisava...
Fiz nada.
Tá vendo?
Oq?
Fez!
Oq?
Nada.

...

Fiz.

...
...
...

Só..
Só?
É.
E?
Oq?!
Ah! Sei lá...

...

Caralho.

...

É caralho!

...
...

Entendi................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................

segunda-feira, 27 de julho de 2009

domingo, 26 de julho de 2009

FUGAZ

Quase estranhos.
Gulosos olhares.
E uma única vontade:
Ter e ser, ser e sentir.
Sob a égide da vontade, a entrega.
Corpos que se fundem.
E quando plenos de um pseudo-amar, cospem se e repelem-se.
Mutuamente.
De resto, a cortesia:
Boa noite,
E até mais.

Talvez, Junho 2003?

...

Olhares, falares,
Pulsações, suspiros,
Salivas, línguas
Sexo.
Um par perfeito.
Como num filme que já vimos mas adoramos rever;

Mas, depois,
O anoitecer
Olhares que não se cruzam;
Tediosos suspiros;
Ausencias;
Línguas, antes bem-vindas, ferinas
Repletas de ferozes palavras felinas
Como num drama negro de final infeliz.
E a ultima palavra:
A saliva que escorre no rosto no ardor quente da agressão.

( Junho de 2003)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

pois é...


terça-feira, 7 de julho de 2009

O Menino-deus do aquário

O lodo penetrava entre seus dedos descalços: úmido, deslizando pela pele, acariciando-a. Proporcionando uma estranha sensação de prazer. Enquanto os olhos fixos buscavam algo precioso. Num movimento rápido, o corpo se arqueia e volta-se para água,penetrando-a. As mãos, em conchas, recolhem a água e o menino, ansioso, olha ávido, depois feliz para sua captura.
Um peixe vulgar, mixuruca. Mas que aos olhos do menino, tem o valor de uma descoberta. Naquele momento um novo ser lhe surgia. Ele tenta em vão encarar o peixe, que se esquiva batendo na mão na palma da mão de seu captor. Fato que deixa o pobre animal duplamente aflito, até que, depois de alguns minutos, seja por cansaço ou desespero, ele aquieta-se e se deixa boiar, quase totalmente inerte. O menino com o zelo de um pai, deposita-o com cuidado num vidro e, ainda admirado com sua potencia, olha o peixe e sorri.
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Às vezes me sinto como um peixe. Posso parecer quieto, relaxado num lugar tranquilo. Mas minha mente, enérgica, sempre está á espreita do bote que me pode ser fatal. Não há nada pior do que viver num aquário.
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Cabe ao menino a preservação do aquário. Tarefa que desempenha com aprumo e prazer. Se ele faltar, aquela harmonia desmorona e seu mundo particular perece. Olha com carinho parar o peixe, seu xodó. Viu-o crescer, adaptar-se ao novo habitat, torna-se vigoroso. Só se ressente com o desprezo dos outros peixes com seu protegido. por que o ignoram? Ele sempre está só, escondido nas algas ou atrás de uma pedra. Quando está mais passional, o menino tem gana de entrar no aquário e sacudir todos aqueles peixes idiotas,trazendo-os para a sufocante realidade de fora do aquário. Aí, sim, eles saberão o que passa o seu pobre peixe. E se arrependerão, então o menino irá coloca-los de novo no aquário, e eles serão agora bons peixes, peixes ordeiros e amigos. E o bom menino os perdoará.
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Pedaços de membrama. Nadadeira. Um resto de uma cauda. Um olho. Tudo pequeno, insignificante. Coisas de peixe somente. Logo depois peixes pequenos começaram a parecer machucados. Era até engraçado vê-los nadando assim meio de lado, embora fosse estúpido imaginar que a causa deste nadar fosse o choque do peixe desnorteado com a parede de vidro. Mas quando o primeiro peixe apareceu boiando, um morto dilacerado, os olhos do menino encheram-se de lágrimas. E ele descobriu a morte.
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Cada perda, o menino sofria. Dia após dia acumulava o numero de baixas. Era como uma guerra silenciosa. A mais terrível de todas talvez porque aquelas vitimas não podiam gritar, seu sofrimento só era visível ao menino. Que se enojava com a ordem do aquario, com a aparente transparencia daquelas águas, com a mudez impassível daqueles peixes estúpidos incapazes de denunciar seu algoz. E ele queria chorar, mas a raiva sufocava sua voz e ele se sentia como um peixe preso no aquário, acuado como seu peixe querido. Ele sentia raiva de todos os outros peixes e principalmente de si - pois ele somente ele era o culpado de tudo. E pela primeira vez, o menino desejou morrer.
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Peixe mau. Muito mau. Não sei porque te trouxe. Porra! Te dei comida, teto pra tu fazer cachorrada! Pivete! É isso que tu é. Mas de mim não vai ter mais nada, nada! Tu não presta, é podre. É merda, cocozinho, estrume, bosta, excremento. Não serve pra nada. Tu é nada. Te renego, te escarro a cara. Maldita seja hora em que te encontrei.
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Quando descobriu que seu peixe era o terror do aquário, o menino-deus sentiu vergonha da sua criação. Era tudo tão claro, porque ele não viu desde o inicio: não eram os outros que discriminavam seu pobre peixe. Estavam acuados como o menino do aquário, que tem medo das sombras que o rodeia, dos barulhos que escuta, do gesto que pressente. E ao se sentir irmão dos outros peixes, e o peso da culpa de ser tão injusto. A fúria transfigurou o rosto do menino que retirou do aquário aquele ser que tanto amara e com uma frieza sobre-humana, arrancou, cartaticamente, uma a uma, as barbatanas daquele animal e depois o jogou de volta ao aquário.
27 de Julho de 2003

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Cão feroz...

Tento entender o que devia sentir e sinto o que deveria entender. Não reconheço a linha tenue que separa objetividade de agressividade. Me falta sutilezas: escutar silêncios, inteirar palavras, fazer curvas. Mundo em preto e branco - território partido - tabuleiro de guerra. Sou o vermelho, o carmim, o encarnado das unhas. Acostumada a cores fortes, não me acostumo com o rosa, o branco, o bege das rendas. A delicadeza sutil das unhas à francesa. Enfim, sanguínea que rumina fantasmas. Não só os vejo, os crio, os alimento. Conversamos, num amor e ódio sem fim. Enfim: cão ferido, incapaz de distinguir o salvador do algoz, que rosna e mordi quem tenta lhe acolher.
....
De um ontem que sempre pode ser agora.



UNIVERSO

Beira de praia.
Balburdia infantil: pleno carnaval em dia de semana. Gritos, risos, reclamações, xingamentos, pazes, novas brincadeiras. Só alegria .
Uma mulher, hippie, sai de casa visivelmente impaciente. Jovem demais para aquela vida, velha para a idade que realmente tem. Se aproxima da muvuca e grita: Universo!!!!
Um moleque olha. Aproximadamente sete anos, negrinho sarará do olho claro e cabelo descolorido.
Passa pra dentro Universo!
Universo baixa a cabeça e com o rabinho entre as perna atravessa a soleira da porta.
Hj.
(a partir de uma cena vista por yuri em Jeri)

"Menina..." no Bom Jardim



"A MENINA DOS BRINCOS DE OURO"
dIAS: 05 E 19 DE jULHO
Às 18H
Centro Cultural Bom Jardim
ENTRADA FRANCA