Oi.
Oi.
...
Tá bem?
Pq?
Nada, deixa.
Ah!
Oq?
Só "ah!".
Eu sei...
Então...
Então oq?
Nada!
...
Não precisava...
Fiz nada.
Tá vendo?
Oq?
Fez!
Oq?
Nada.
...
Fiz.
...
...
...
Só..
Só?
É.
E?
Oq?!
Ah! Sei lá...
...
Caralho.
...
É caralho!
...
...
Entendi................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
quinta-feira, 30 de julho de 2009
segunda-feira, 27 de julho de 2009
domingo, 26 de julho de 2009
FUGAZ
Quase estranhos.
Gulosos olhares.
E uma única vontade:
Ter e ser, ser e sentir.
Sob a égide da vontade, a entrega.
Corpos que se fundem.
E quando plenos de um pseudo-amar, cospem se e repelem-se.
Mutuamente.
De resto, a cortesia:
Boa noite,
E até mais.
Gulosos olhares.
E uma única vontade:
Ter e ser, ser e sentir.
Sob a égide da vontade, a entrega.
Corpos que se fundem.
E quando plenos de um pseudo-amar, cospem se e repelem-se.
Mutuamente.
De resto, a cortesia:
Boa noite,
E até mais.
Talvez, Junho 2003?
...
Olhares, falares,
Pulsações, suspiros,
Salivas, línguas
Sexo.
Um par perfeito.
Como num filme que já vimos mas adoramos rever;
Mas, depois,
O anoitecer
Olhares que não se cruzam;
Tediosos suspiros;
Ausencias;
Línguas, antes bem-vindas, ferinas
Repletas de ferozes palavras felinas
Como num drama negro de final infeliz.
E a ultima palavra:
A saliva que escorre no rosto no ardor quente da agressão.
Pulsações, suspiros,
Salivas, línguas
Sexo.
Um par perfeito.
Como num filme que já vimos mas adoramos rever;
Mas, depois,
O anoitecer
Olhares que não se cruzam;
Tediosos suspiros;
Ausencias;
Línguas, antes bem-vindas, ferinas
Repletas de ferozes palavras felinas
Como num drama negro de final infeliz.
E a ultima palavra:
A saliva que escorre no rosto no ardor quente da agressão.
( Junho de 2003)
quarta-feira, 22 de julho de 2009
terça-feira, 7 de julho de 2009
O Menino-deus do aquário
O lodo penetrava entre seus dedos descalços: úmido, deslizando pela pele, acariciando-a. Proporcionando uma estranha sensação de prazer. Enquanto os olhos fixos buscavam algo precioso. Num movimento rápido, o corpo se arqueia e volta-se para água,penetrando-a. As mãos, em conchas, recolhem a água e o menino, ansioso, olha ávido, depois feliz para sua captura.
Um peixe vulgar, mixuruca. Mas que aos olhos do menino, tem o valor de uma descoberta. Naquele momento um novo ser lhe surgia. Ele tenta em vão encarar o peixe, que se esquiva batendo na mão na palma da mão de seu captor. Fato que deixa o pobre animal duplamente aflito, até que, depois de alguns minutos, seja por cansaço ou desespero, ele aquieta-se e se deixa boiar, quase totalmente inerte. O menino com o zelo de um pai, deposita-o com cuidado num vidro e, ainda admirado com sua potencia, olha o peixe e sorri.
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Às vezes me sinto como um peixe. Posso parecer quieto, relaxado num lugar tranquilo. Mas minha mente, enérgica, sempre está á espreita do bote que me pode ser fatal. Não há nada pior do que viver num aquário.
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Cabe ao menino a preservação do aquário. Tarefa que desempenha com aprumo e prazer. Se ele faltar, aquela harmonia desmorona e seu mundo particular perece. Olha com carinho parar o peixe, seu xodó. Viu-o crescer, adaptar-se ao novo habitat, torna-se vigoroso. Só se ressente com o desprezo dos outros peixes com seu protegido. por que o ignoram? Ele sempre está só, escondido nas algas ou atrás de uma pedra. Quando está mais passional, o menino tem gana de entrar no aquário e sacudir todos aqueles peixes idiotas,trazendo-os para a sufocante realidade de fora do aquário. Aí, sim, eles saberão o que passa o seu pobre peixe. E se arrependerão, então o menino irá coloca-los de novo no aquário, e eles serão agora bons peixes, peixes ordeiros e amigos. E o bom menino os perdoará.
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Pedaços de membrama. Nadadeira. Um resto de uma cauda. Um olho. Tudo pequeno, insignificante. Coisas de peixe somente. Logo depois peixes pequenos começaram a parecer machucados. Era até engraçado vê-los nadando assim meio de lado, embora fosse estúpido imaginar que a causa deste nadar fosse o choque do peixe desnorteado com a parede de vidro. Mas quando o primeiro peixe apareceu boiando, um morto dilacerado, os olhos do menino encheram-se de lágrimas. E ele descobriu a morte.
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Cada perda, o menino sofria. Dia após dia acumulava o numero de baixas. Era como uma guerra silenciosa. A mais terrível de todas talvez porque aquelas vitimas não podiam gritar, seu sofrimento só era visível ao menino. Que se enojava com a ordem do aquario, com a aparente transparencia daquelas águas, com a mudez impassível daqueles peixes estúpidos incapazes de denunciar seu algoz. E ele queria chorar, mas a raiva sufocava sua voz e ele se sentia como um peixe preso no aquário, acuado como seu peixe querido. Ele sentia raiva de todos os outros peixes e principalmente de si - pois ele somente ele era o culpado de tudo. E pela primeira vez, o menino desejou morrer.
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Peixe mau. Muito mau. Não sei porque te trouxe. Porra! Te dei comida, teto pra tu fazer cachorrada! Pivete! É isso que tu é. Mas de mim não vai ter mais nada, nada! Tu não presta, é podre. É merda, cocozinho, estrume, bosta, excremento. Não serve pra nada. Tu é nada. Te renego, te escarro a cara. Maldita seja hora em que te encontrei.
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Quando descobriu que seu peixe era o terror do aquário, o menino-deus sentiu vergonha da sua criação. Era tudo tão claro, porque ele não viu desde o inicio: não eram os outros que discriminavam seu pobre peixe. Estavam acuados como o menino do aquário, que tem medo das sombras que o rodeia, dos barulhos que escuta, do gesto que pressente. E ao se sentir irmão dos outros peixes, e o peso da culpa de ser tão injusto. A fúria transfigurou o rosto do menino que retirou do aquário aquele ser que tanto amara e com uma frieza sobre-humana, arrancou, cartaticamente, uma a uma, as barbatanas daquele animal e depois o jogou de volta ao aquário.
27 de Julho de 2003
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Cão feroz...
Tento entender o que devia sentir e sinto o que deveria entender. Não reconheço a linha tenue que separa objetividade de agressividade. Me falta sutilezas: escutar silêncios, inteirar palavras, fazer curvas. Mundo em preto e branco - território partido - tabuleiro de guerra. Sou o vermelho, o carmim, o encarnado das unhas. Acostumada a cores fortes, não me acostumo com o rosa, o branco, o bege das rendas. A delicadeza sutil das unhas à francesa. Enfim, sanguínea que rumina fantasmas. Não só os vejo, os crio, os alimento. Conversamos, num amor e ódio sem fim. Enfim: cão ferido, incapaz de distinguir o salvador do algoz, que rosna e mordi quem tenta lhe acolher.
....
De um ontem que sempre pode ser agora.
UNIVERSO
Beira de praia.
Balburdia infantil: pleno carnaval em dia de semana. Gritos, risos, reclamações, xingamentos, pazes, novas brincadeiras. Só alegria .
Uma mulher, hippie, sai de casa visivelmente impaciente. Jovem demais para aquela vida, velha para a idade que realmente tem. Se aproxima da muvuca e grita: Universo!!!!
Um moleque olha. Aproximadamente sete anos, negrinho sarará do olho claro e cabelo descolorido.
Passa pra dentro Universo!
Universo baixa a cabeça e com o rabinho entre as perna atravessa a soleira da porta.
Hj.
(a partir de uma cena vista por yuri em Jeri)
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