quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Branco

Folha branca...
Mente em branco...
Onde estão as palavras levadas pelo vento? Proferidas, perdidas para sempre... Onde estão estas palavras ausentes, dormentes? Que reverberam não sei onde atingindo não sei o quê e fico assim, calada, pensando tentando entender, em vão, o vão que se abre e engole e separa. Pisco meus olhos para enganar e me afastar da vertigem que me atrai. Miragem que puxa e me suga. E tomada de coragem mergulho na fundura negra do espaço que se abre. Olhos abertos, olhos secos que mais secos se tornam na escuridão total. Dia e noite são um só, e consigo escutar vozes antes inaudíveis que foram caladas por uma profusão de imagens que me cegam e distraem. Mar de informação sem razão, tempo que se funde; desterritorialização, estrangeira de mim mesma sigo como uma Alice sem noção: des-patriada, des-norteada, em busca de significação. Mar que me invade e me leva de roldão. Imensidão. Solidão. Dormir, dormir... Talvez sonhar. Quem sabe...
Acordo.
Caminho exausta por esta estrada que parece levar a lugar nenhum.
Fecho meus olhos cansados...

Um comentário:

  1. "tem dias que a gente se sente com quem partiu ou morreu..."
    Amiga, estou precisando fechar meus olhos.
    Eles estão exaustos...
    saudades

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