sábado, 8 de agosto de 2009

CONVERSA NUMA NOITE FRIA

Estamos sós do nascimento a morte. Estamos sós quando somos expulsos do ventre como uma carne que está preste a apodrecer. Sim: expulso, expelido, cuspido. Sim. Sabe aquela história que dois corpos não podem ocupar um mesmo lugar... É física para biologia. Jogados numa fria. Não se engane... A frieza, o frio que sentimos e que faz com que as nossas queridas mães nos agasalharem, é só uma previa do que virá depois. Sempre senti frio em meus momentos mais sinceros de felicidade. Engraçado isso? É meu instinto me alertando: viva, mas não se esqueça... E nunca me esqueci. O mais engraçado é que a felicidade fica tão intensa, tão verdadeira quando se sabe que... Que ela vai... Que posso quase tocá-la. E quase desejo que uma brisa leve para longe essas ideias que borboleteiam em minha cabeça. Essa palavra borboletear, eu ouvi de um poeta, pelo menos ele dizia que era e falava daquele jeito de quem se diz artista: Façam silêncio que as palavras estão borboleteando em minha pena! Pena! Era a caneta, uma dessas bem vagabundas que ninguém liga quando perde. E ele ficava rabiscando, todo sério e de repente uma tristeza chegava e ele fechava o caderno. Assim do nada. Os poemas? Esses, nunca vi...

Nascemos para vida e para solidão. Porque o espanto? É sou uma vagabunda filosófica... Não. Filosofa vagabunda! Não é filosofo que vive pensando, fica lá pensando matutando... É muito azar! Nascer uma vez e ser duplamente vagabunda... Calma não precisa ter pressa! Gostei de você. Me lembra alguém mas com uma vantagem: Cê fica mudinho, caladinho. Tenho que te dizer uma coisa: eu desistir. Desistir do outro, ou melhor, da companhia do outro. Não somos criados para isso, para conviver, pra tá junto. Sou amarga, sou; sou insensível, sou; sou sem fé, também! O que quiser. Mas não minto mais pra mim nem acredito em propaganda pra vender margarina, roupa, sapato, pasta de dente, sabão em pó, sabão em barra, sabão de coco, maquiagem, computador, carro, refrigerante, creme de leite, leite condensado, leite em pó, leite de rosas e cerveja. Mas essa eu compro pois matar a sede e ainda faz descer redondo. E até espanta o frio.

Lembra da mãe que enrola o bebe em mil fraldas e cueiros, tudo pra ele se aquecer. Essas coisas são assim, nos aquecem e fazem esquecer. Até no sexo, estamos sós. Sim. Dizem que sexo é cabeça e como vou entrar na cabeça do outro. Coisa mais besta... E o amor? O mais próximo do amor que conheci, foi uma história que ouvi anos atrás. Uma puta escuta uma canção no radio e se apaixona pelo cantor. Compra aparelho de som, disco, foto, revista, tudo que o artista aparecia. Era um amor sem fim que consumia cada centavo da pobre coitada. Uma noite bêbada, olhando para uma foto do moço, a paixão explode: beija, se esfrega, lambe até que no fim come a foto. Tira essa mão daí. História ainda não acabou... Uma a uma vai comendo as fotos, até que um dia o cantor aparece na cidade e a moça se arruma toda e vai ao show. Fisga o cantor que a trata como uma rainha. Leva pra todo lado, bate foto e tal. Numa noite ela acorda e ele não está mais lá, então como uma louca sai de anágua pela rua gritando por ele que se foi.

Tá frio aqui. Um frio de matar, né? Na morte também estamos sozinho. Dizem, né? Do começo ao fim... Os meios são só pra nos aquecer. Cê não é de falar muito... Mas não tem problema, não precisa dizer nada. Eu sei o que fazer.

Um comentário:

  1. Reli seu post, baby...

    Falta alguma coisa... talvez essa vagabunda fulosofia necessite de uma puta de verdade... Desperte a vagabunda porque ela está muto puritana...

    Bjs

    ResponderExcluir