"O que comanda a história não é a voz mas o ouvido".
Essa frase ficou me martelando o juízo e desde então, toda vida que conto uma história ela me vem a cabeça.
...
Domingo passado fizemos um pequeno experimento de contação na praça verde no Dragão do Mar onde quatro contadores de história se revezaram contando um mito ioruba que narra o nascimento do orixá Logum Edé. O jogo era o seguinte: teríamos 50 minutos para contar a história, quem assumisse o posto de narrador deveria ficar lá até o outro o substituísse e quem narrava poderia pedir a intervenção de um dos outros participante que depois de "cumprir" o pedido deveria voltar a seu lugar.
Mais do que um uma saída de narração na rua esse foi um exercício de escuta que aconteceu em três planos: o primeiro plano referia-se a escutar o que está sendo dito. Sem isso não conseguiríamos levar a historia de forma coesa e coerente. O segundo refere se a relação entre os contadores. Era a primeira vez que contavamos juntos "para valer". Foi um processo de apredizagem conhecer o "outro", perceber como ele realizava suas ações, perceber seus momentos de certezas e inseguranças. E também descobrir o momento certo da troca para que ela ocorresse sem confusões e atropelos. E por ultimo o publico. Por estamos dentro e fora da cena, podemos ver como aquilo que estava sendo contado "chegava" ao espectador e quando de ouvintes passávamos para a função de narrador voltavamos com novos elementos para acrescentar na encenação. Digo encenação porque voltamos com novas propostas de ritmos, quebras, intonações e estados para história.
Como o local da apresentação era muito movimentado, estavamos sempre concorrendo com alguma outra coisa, seja um ambulante que passava ou um recreador que fazia uma brincadeira de roda. Esse estado de "competição" fazia com que entrássemos em cena sempre preparados para uma pequena batalha pela atenção de nosso publico que poderia nos abandonar e seguir o primeiro pipoqueiro ou picolezeiro que surgisse.
Mais do que um uma saída de narração na rua esse foi um exercício de escuta que aconteceu em três planos: o primeiro plano referia-se a escutar o que está sendo dito. Sem isso não conseguiríamos levar a historia de forma coesa e coerente. O segundo refere se a relação entre os contadores. Era a primeira vez que contavamos juntos "para valer". Foi um processo de apredizagem conhecer o "outro", perceber como ele realizava suas ações, perceber seus momentos de certezas e inseguranças. E também descobrir o momento certo da troca para que ela ocorresse sem confusões e atropelos. E por ultimo o publico. Por estamos dentro e fora da cena, podemos ver como aquilo que estava sendo contado "chegava" ao espectador e quando de ouvintes passávamos para a função de narrador voltavamos com novos elementos para acrescentar na encenação. Digo encenação porque voltamos com novas propostas de ritmos, quebras, intonações e estados para história.
Como o local da apresentação era muito movimentado, estavamos sempre concorrendo com alguma outra coisa, seja um ambulante que passava ou um recreador que fazia uma brincadeira de roda. Esse estado de "competição" fazia com que entrássemos em cena sempre preparados para uma pequena batalha pela atenção de nosso publico que poderia nos abandonar e seguir o primeiro pipoqueiro ou picolezeiro que surgisse.
Essas "batalhas" nos lançaram velhos questionamentos: Como manter nossa audiência sem se tornar refém dela? Como trabalhar/ apresentar propostas que necessitam de mais tempo de apreensão para um publico flutuante? Para quem queremos contar história? E por que não para quantos? Numa época em os valores de sucesso de um espetaculo ou projeto estão intimamente ligados a dados quantitativos, como será optar por se apresentar para uma ou duas pessoas que tem tempo e interesse de ouvir uma ou duas antigas histórias.
Como nas duas ultimas postagens termino com perguntas.
Êh! Êh...
Também tenho que aprender a me escutar...
Na foto da esquerda para direita: Ana Luiza Rios, Paula Yemanjá, Edivaldo Batista e Flavia Cavalcante.
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