quinta-feira, 16 de setembro de 2010

sexta-feira, 30 de julho de 2010

segunda-feira, 12 de julho de 2010

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Memórias



Coisas com gosto de infância:

  • Ouvir a história da família, as histórias de Minas Gerais
  • Passar por buraco do muro para entrar no sítio do vizinho
  • Pisar em folha seca e sentir o cheiro de terra e folha
  • Tacho de cobre fritando torresmo num balcão de bar
  • Medo de cair num poço, de ser engolida pela terra, de cair no fosso do elevador
  • Vertigem e altura, mão suando, alto da árvore
  • Sapato vermelho
  • Jardim da vô e banho de mangueira
  • Brincar/lavar banheiro
  • Guerra de tinta
  • Casa velha

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Ah! Calvino...



"O que comanda a história não é a voz mas o ouvido".
Essa frase ficou me martelando o juízo e desde então, toda vida que conto uma história ela me vem a cabeça.
...
Domingo passado fizemos um pequeno experimento de contação na praça verde no Dragão do Mar onde quatro contadores de história se revezaram contando um mito ioruba que narra o nascimento do orixá Logum Edé. O jogo era o seguinte: teríamos 50 minutos para contar a história, quem assumisse o posto de narrador deveria ficar lá até o outro o substituísse e quem narrava poderia pedir a intervenção de um dos outros participante que depois de "cumprir" o pedido deveria voltar a seu lugar.
Mais do que um uma saída de narração na rua esse foi um exercício de escuta que aconteceu em três planos: o primeiro plano referia-se a escutar o que está sendo dito. Sem isso não conseguiríamos levar a historia de forma coesa e coerente. O segundo refere se a relação entre os contadores. Era a primeira vez que contavamos juntos "para valer". Foi um processo de apredizagem conhecer o "outro", perceber como ele realizava suas ações, perceber seus momentos de certezas e inseguranças. E também descobrir o momento certo da troca para que ela ocorresse sem confusões e atropelos. E por ultimo o publico. Por estamos dentro e fora da cena, podemos ver como aquilo que estava sendo contado "chegava" ao espectador e quando de ouvintes passávamos para a função de narrador voltavamos com novos elementos para acrescentar na encenação. Digo encenação porque voltamos com novas propostas de ritmos, quebras, intonações e estados para história.
Como o local da apresentação era muito movimentado, estavamos sempre concorrendo com alguma outra coisa, seja um ambulante que passava ou um recreador que fazia uma brincadeira de roda. Esse estado de "competição" fazia com que entrássemos em cena sempre preparados para uma pequena batalha pela atenção de nosso publico que poderia nos abandonar e seguir o primeiro pipoqueiro ou picolezeiro que surgisse.
Essas "batalhas" nos lançaram velhos questionamentos: Como manter nossa audiência sem se tornar refém dela? Como trabalhar/ apresentar propostas que necessitam de mais tempo de apreensão para um publico flutuante? Para quem queremos contar história? E por que não para quantos? Numa época em os valores de sucesso de um espetaculo ou projeto estão intimamente ligados a dados quantitativos, como será optar por se apresentar para uma ou duas pessoas que tem tempo e interesse de ouvir uma ou duas antigas histórias.
Como nas duas ultimas postagens termino com perguntas.
Êh! Êh...
Também tenho que aprender a me escutar...



Na foto da esquerda para direita: Ana Luiza Rios, Paula Yemanjá, Edivaldo Batista e Flavia Cavalcante.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

É....



Fizemos nossa segunda apresentação dos palhaços: novas ideias surgiram, outras se fortaleceram. Começou a nascer um enredo, um embrião de história. Talvez seja o fio que faltava para justificar toda a esquete. A personagem do Ed está mais atuante, mais forte. Aumentamos interação entre essas duas figuras.
Me questiono sobre o porque e para quem fazemos esse trabalho. Para que serve um bando de "palhacinhos" deprimidos e psicoticos? Que dramaturgia será essa que vem do corpo?
São perguntas para quais ainda não tenho resposta.
Mas conversando/testando a gente se entende...
Espero...

fotos: Rafael Escósio



terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Margarete e as tragédias cotidianas - Projeto In certo; Cena 03



Desespero, desesperança e muita tinta vermelha. Mundo cão pede ajuda e é atendido por descrentes atendentes de um bizarro centro de ajuda a vida: "Vai passar, tem gente muito pior que você" é o que dizem . Os personagens não tem nome nem história, atendem telefonemas e entre uma ligação e outra desabam em espasmos alucinados para logo depois se recomporem e continuarem em sua jornada obsessiva. A única esperança de felicidade é o caso de Margarete, deficiente que só mexia um olho, e que apesar de todas as contrariedades era feliz. Se ela pode, você também poderá ser feliz...


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Não é que o In Certo virou palhaçada!!!!. - Cena 02



Palhaçaria é padecer no paraíso. Estimulante, desesperador e, principalmente, apaixonante. Estou apaixonada por essa palhaçacinha que criei e não sei como terminar ou melhor começar essa história. Êh! Vida...
Minha noiva-palhaça, alcoolatra e deprimida está muito segura em sua caixa. Poeticamente iluminada, sob um recorte vermelho, ela sofre sendo espionada por sua amiga estranha. E eu sofro também, por saber que terei que abandonar a imagem/estrutura que construir (pelo menos por enquanto) e me aventurar nas incertezas da sala de ensaio crua e da rua expondo/testando seu sofrimento. Será que a noivinha resistirá? Que será dela e de mim reboladas nesse mundão de Deus?
"O palhaço lida com o fracasso. Um bom palhaço tem uma cara de fracassado!" dizia num portunhol encabulado Oskar Zimmerman numa oficina no Theatro José de Alencar ano passado. Foi ele que me lembrou que o palhaço trabalha com erro, com a tentativa. É uma condição paradoxal e porque não dizer trágica: treinar o erro para poder acertar.
E lá vamos nós pela rua...
Olha a palhaça no meio da rua...



Projeto In certo: Cena 01 - CÃO FEROZ



"- Quero que você saiba que não sou eu que estou lhe deixando. Você já me deixou faz tempo?


-De novo com essa conversa?

- É a ultima vez. Vou deixar você em paz.

Quem disse para ele que eu quero paz? Eu quero guerra."

(Paulo Leminski)


Para primeira proposta de cena, recebi um envelope de papel do Ricardo (Tabosa) que continha um texto retirado de um blog da internet. Esse texto se iniciava com uma epigrafe de Paulo Leminski e foi a partir dela que busquei inspiração pra meu primeiro exercício.

O texto remetia a situações que vivi, me reconhecia na linguagem e isso me instigava bastante. Desde do inicio sabia que partindo dessa premissa para criação optaria por uma cena que falaria de mim e isso me deixava um pouco relutante. Como se não bastasse essa ser praticamente uma "estreia" (seria a primeira fez que apresentaria uma cena criada para um exercício no grupo), me sentia duplamente exposta por levar referencias da minha vida sentimental. Resolvi desencanar pois não tinha outra ideia e por acreditar que de um jeito ou de outro acabamos falando de nós quando criamos algo.



Queria usar folhas secas e amareladas. Acho lindo: me remetem a tempo que passa, a nostalgia, a abandono, a outono, gosto da textura, do cheiro, da cor, do som quando as manipulamos. Todo dia quando ia para a sede passava pelo 23º BC e paquerava com aquelas lindas folhas de eucalipto caídas e me perguntava o quê as pessoas iram pensar quando de dentro de seus carros vissem uma pessoa recolhendo aquelas folhas com enorme saco de lixo preto? Um belo dia, limparam a rua e as folhas se foram. Adeus folhas... Pelo menos eu pensava que seria assim...



Outro elemento que queria usar era uma música do Portishead. Adoro esse grupo. E ele me em embalou alguns momentos. Na época estava ouvindo bastante o disco Third.



Trabalhar com o Yuri (Yamamoto) e o Aristides (Ribeiro) me ensinaram a pensar nos detalhes e na composição da imagem do personagem/persona e da cena. Cada detalhe é importante: o porquê desta roupa e não aquela, o que quero mostrar/esconder com luz. Pensei nesses detalhes e preparei opções pra utilizar na execução do trabalho.



Faltava juntar tudo e ver no que dá. Fui pra sede com todos elementos e um pouco de desespero por não saber se aquele emarananhado de ideias e tralha de coisas resultaria em algo. Disponha de elementos e não sabia o que fazer. Tinha medo de ir para sala de ensaio. Me intimidava o grande salão preto por isso preferir ficar na sala de reunião. Ouvindo obsessivamente o mesmo cd, depois a mesma música "Nylon Smile", me deixei levar pela musica: os movimentos surgiram, as ideia foram se organizando, me veio a cabeça um texto meu "cão feroz" e comecei a dizê-lo da forma que me lembrava. Repeti, repeti. Já sabia o que faria. Escrevi o texto e organizei mentalmente um roteiro. Fui a sala de material, escolhi um outro figurino ( minha primeira proposta era um vestido longo quase de festa rs...), queria algo mais intimo, escolhi uma camisa masculina branca. Peguei um banco preto. Separei o material para luz: um espelho, velas e uma lâmpada incandescente. Separei algumas lembranças e a musica que usaria e fui para sala prepara-la para minha cena. As folhas ainda me martelavam a cabeça, andando pelo quintal da casa vi varias. Não eram as de eucalipto mas tinham seu charme. Recolhi-as. Cheguei na sala com um saco de folhas e sem saber se as usaria. A Taty (Amorim - que apresentaria sua cena no mesmo dia e que operou minha sonoplastia) já estava lá no salão disse "Usa mulher!" era o que faltava.

Antes da apresentação fiquei nervosa, achei que nada daria certo. A apresentação aconteceu e fiquei feliz com o resultado. Vi que as aulas de dança contemporânea da Fabíola (de Paula) me influenciaram na criação e que a união dos movimentos, texto e música geraram uma cena perfomática, quase um teatro-dança.

Primeiro trabalho cumprido! Que venham os próximos.



quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Branco

Folha branca...
Mente em branco...
Onde estão as palavras levadas pelo vento? Proferidas, perdidas para sempre... Onde estão estas palavras ausentes, dormentes? Que reverberam não sei onde atingindo não sei o quê e fico assim, calada, pensando tentando entender, em vão, o vão que se abre e engole e separa. Pisco meus olhos para enganar e me afastar da vertigem que me atrai. Miragem que puxa e me suga. E tomada de coragem mergulho na fundura negra do espaço que se abre. Olhos abertos, olhos secos que mais secos se tornam na escuridão total. Dia e noite são um só, e consigo escutar vozes antes inaudíveis que foram caladas por uma profusão de imagens que me cegam e distraem. Mar de informação sem razão, tempo que se funde; desterritorialização, estrangeira de mim mesma sigo como uma Alice sem noção: des-patriada, des-norteada, em busca de significação. Mar que me invade e me leva de roldão. Imensidão. Solidão. Dormir, dormir... Talvez sonhar. Quem sabe...
Acordo.
Caminho exausta por esta estrada que parece levar a lugar nenhum.
Fecho meus olhos cansados...

sábado, 8 de agosto de 2009

CONVERSA NUMA NOITE FRIA

Estamos sós do nascimento a morte. Estamos sós quando somos expulsos do ventre como uma carne que está preste a apodrecer. Sim: expulso, expelido, cuspido. Sim. Sabe aquela história que dois corpos não podem ocupar um mesmo lugar... É física para biologia. Jogados numa fria. Não se engane... A frieza, o frio que sentimos e que faz com que as nossas queridas mães nos agasalharem, é só uma previa do que virá depois. Sempre senti frio em meus momentos mais sinceros de felicidade. Engraçado isso? É meu instinto me alertando: viva, mas não se esqueça... E nunca me esqueci. O mais engraçado é que a felicidade fica tão intensa, tão verdadeira quando se sabe que... Que ela vai... Que posso quase tocá-la. E quase desejo que uma brisa leve para longe essas ideias que borboleteiam em minha cabeça. Essa palavra borboletear, eu ouvi de um poeta, pelo menos ele dizia que era e falava daquele jeito de quem se diz artista: Façam silêncio que as palavras estão borboleteando em minha pena! Pena! Era a caneta, uma dessas bem vagabundas que ninguém liga quando perde. E ele ficava rabiscando, todo sério e de repente uma tristeza chegava e ele fechava o caderno. Assim do nada. Os poemas? Esses, nunca vi...

Nascemos para vida e para solidão. Porque o espanto? É sou uma vagabunda filosófica... Não. Filosofa vagabunda! Não é filosofo que vive pensando, fica lá pensando matutando... É muito azar! Nascer uma vez e ser duplamente vagabunda... Calma não precisa ter pressa! Gostei de você. Me lembra alguém mas com uma vantagem: Cê fica mudinho, caladinho. Tenho que te dizer uma coisa: eu desistir. Desistir do outro, ou melhor, da companhia do outro. Não somos criados para isso, para conviver, pra tá junto. Sou amarga, sou; sou insensível, sou; sou sem fé, também! O que quiser. Mas não minto mais pra mim nem acredito em propaganda pra vender margarina, roupa, sapato, pasta de dente, sabão em pó, sabão em barra, sabão de coco, maquiagem, computador, carro, refrigerante, creme de leite, leite condensado, leite em pó, leite de rosas e cerveja. Mas essa eu compro pois matar a sede e ainda faz descer redondo. E até espanta o frio.

Lembra da mãe que enrola o bebe em mil fraldas e cueiros, tudo pra ele se aquecer. Essas coisas são assim, nos aquecem e fazem esquecer. Até no sexo, estamos sós. Sim. Dizem que sexo é cabeça e como vou entrar na cabeça do outro. Coisa mais besta... E o amor? O mais próximo do amor que conheci, foi uma história que ouvi anos atrás. Uma puta escuta uma canção no radio e se apaixona pelo cantor. Compra aparelho de som, disco, foto, revista, tudo que o artista aparecia. Era um amor sem fim que consumia cada centavo da pobre coitada. Uma noite bêbada, olhando para uma foto do moço, a paixão explode: beija, se esfrega, lambe até que no fim come a foto. Tira essa mão daí. História ainda não acabou... Uma a uma vai comendo as fotos, até que um dia o cantor aparece na cidade e a moça se arruma toda e vai ao show. Fisga o cantor que a trata como uma rainha. Leva pra todo lado, bate foto e tal. Numa noite ela acorda e ele não está mais lá, então como uma louca sai de anágua pela rua gritando por ele que se foi.

Tá frio aqui. Um frio de matar, né? Na morte também estamos sozinho. Dizem, né? Do começo ao fim... Os meios são só pra nos aquecer. Cê não é de falar muito... Mas não tem problema, não precisa dizer nada. Eu sei o que fazer.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Das palavras não ditas... / e ou... / Com cautela não se vive

Oi.
Oi.
...

Tá bem?
Pq?
Nada, deixa.
Ah!
Oq?
Só "ah!".
Eu sei...
Então...
Então oq?
Nada!
...

Não precisava...
Fiz nada.
Tá vendo?
Oq?
Fez!
Oq?
Nada.

...

Fiz.

...
...
...

Só..
Só?
É.
E?
Oq?!
Ah! Sei lá...

...

Caralho.

...

É caralho!

...
...

Entendi................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................

segunda-feira, 27 de julho de 2009

domingo, 26 de julho de 2009

FUGAZ

Quase estranhos.
Gulosos olhares.
E uma única vontade:
Ter e ser, ser e sentir.
Sob a égide da vontade, a entrega.
Corpos que se fundem.
E quando plenos de um pseudo-amar, cospem se e repelem-se.
Mutuamente.
De resto, a cortesia:
Boa noite,
E até mais.

Talvez, Junho 2003?

...

Olhares, falares,
Pulsações, suspiros,
Salivas, línguas
Sexo.
Um par perfeito.
Como num filme que já vimos mas adoramos rever;

Mas, depois,
O anoitecer
Olhares que não se cruzam;
Tediosos suspiros;
Ausencias;
Línguas, antes bem-vindas, ferinas
Repletas de ferozes palavras felinas
Como num drama negro de final infeliz.
E a ultima palavra:
A saliva que escorre no rosto no ardor quente da agressão.

( Junho de 2003)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

pois é...